Governança
A estratégia da empresa e o calendário eleitoral
· Gustavo B. Vargas
A estratégia de uma empresa não precisa mudar no ritmo do calendário eleitoral, embora o cenário que sai das urnas mereça acompanhamento próximo.
O primeiro turno das eleições, realizado ontem, abre um período natural de expectativa. Onde houver segundo turno, a votação ocorre em 25 de outubro, e os novos mandatos começam em 2027.
As políticas econômica, fiscal e monetária influenciam juros, câmbio, inflação, crédito e carga tributária, e essas variáveis chegam rapidamente ao caixa e às margens. Por isso, o cenário macroeconômico precisa ser monitorado de forma contínua, com projeções em mais de um cenário e medidas de mitigação definidas com antecedência.
Ao mesmo tempo, os ciclos de governo duram quatro anos, enquanto decisões de investimento e capacidade produtiva costumam maturar em dez anos ou mais. A estratégia de médio e longo prazo, então, se apoia em pilares que permanecem válidos em qualquer cenário.
Estrutura de capital e liquidez. Prazo de dívida compatível com o retorno do ativo e caixa suficiente para atravessar oscilações de juros e câmbio.
Produtividade e pessoas. Custo competitivo, processos eficientes e equipe preparada sustentam a margem e a execução em diferentes cenários.
Transição tributária. A reforma do consumo já tem cronograma em lei: a CBS substitui PIS e Cofins a partir de 2027, e o IBS entra de forma gradual até a extinção de ICMS e ISS em 2033.
Governança e controles. Conselho atuante, gestão de riscos e programa de integridade dão previsibilidade às decisões.
As empresas que acompanham o cenário e, ao mesmo tempo, tratam esses pilares como rotina costumam atravessar mudanças de ciclo com o planejamento preservado.