Gustavo B. Vargas

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Finanças

O orçamento de 2027 e a Selic

· Gustavo B. Vargas

O Copom se reúne na próxima terça e quarta-feira, 15 e 16 de setembro. A Selic está em 14,00% ao ano desde 5 de agosto, quarto corte consecutivo de 0,25 ponto desde março, quando o ciclo começou em 15,00%.

O Boletim Focus projeta 13,75% no fim de 2026 e 12,00% no fim de 2027. O mercado precifica mais um corte de 0,25 nas três reuniões que restam neste ano, e 175 pontos ao longo de todo o ano que vem.

O erro recorrente é pegar o ponto final e usá-lo como premissa. Se a taxa entra 2027 em 13,75% e termina o ano em 12,00%, a média do período fica perto de 13%, não de 12%. Um ponto percentual de diferença sobre R$ 100 milhões de dívida pós-fixada vale R$ 1 milhão de despesa financeira — numa linha que ninguém revisa depois de aprovada.

Despesa financeira se constrói por instrumento: taxa contratada, cronograma de amortização, e a Selic entrando apenas na parcela efetivamente pós-fixada e nas rolagens com data. Cenário alternativo também não é rodar o mesmo número três vezes. É estressar o que muda decisão: prazo, garantia e folga de covenant.

Dois números organizam a conversa: quanto da dívida é pós-fixada e quanto vence em 2027

Fontes

Selic e decisões do Copom: Banco Central do Brasil, comunicados de 05/08/2026 (14,00%) e do ciclo iniciado em março de 2026; calendário de reuniões do Copom de 2026 (15 e 16/09). Projeções medianas: Boletim Focus de 08/09/2026. O exemplo de R$ 100 milhões é ilustrativo.